Eles são coloridos, discretos, têm sabor de tutti-frutti, menta, uva... e estão nas mãos de adolescentes, jovens adultos e até pessoas que nunca fumaram um cigarro tradicional. Os cigarros eletrônicos, ou vapes, chegaram com a promessa de serem "menos nocivos", mas, na prática, têm acendido um alerta importante de saúde pública — inclusive aqui em Contagem.

Você já reparou quantas pessoas estão usando vape hoje em dia? E quantas delas realmente sabem o que estão inalando?

A ilusão do “menos prejudicial”
Muita gente acredita que os cigarros eletrônicos são uma alternativa mais saudável. Mas estudos recentes e alertas da Anvisa, da Fiocruz e da OMS mostram o contrário: os vapes contêm nicotina (muitas vezes em doses maiores que o cigarro comum), metais pesados e substâncias químicas tóxicas que ainda estão sendo estudadas — e que podem causar sérios danos à saúde pulmonar, cardiovascular e neurológica.

Além disso, o uso frequente tem levado a um aumento nos casos de dependência, especialmente entre jovens que nunca haviam fumado antes. É uma porta de entrada, não de saída.

Por que isso nos preocupa como sociedade?
Porque o apelo visual e o marketing (muitas vezes disfarçado de “estilo de vida”) têm feito com que o vape seja consumido por adolescentes nas escolas, bares e até mesmo dentro de casa. Muitas famílias sequer percebem. E o comércio, apesar de proibido, acontece abertamente — em bancas, camelôs, sites e até festas.

Ou seja: não estamos só falando de saúde. Estamos falando de uma rede comercial que lucra alto com o vício alheio. Um negócio silencioso que cresce às custas da desinformação e da ausência de fiscalização.

Quem está ganhando com tudo isso?

  • Fabricantes internacionais que muitas vezes burlam as regras de importação.
  • Vendedores informais que lucram com um produto ilegal e perigoso.
  • Influenciadores e campanhas disfarçadas de "lifestyle" que romantizam o uso e impactam principalmente o público jovem.

Enquanto isso, quem perde é a população, especialmente os mais jovens e suas famílias. É o sistema de saúde, que no futuro terá de lidar com as consequências. É a escola, que precisa enfrentar os efeitos do uso dentro e fora da sala de aula.

E o que a gente pode fazer?

  • Discutir abertamente o tema com os jovens e famílias.
  • Apoiar ações de fiscalização e políticas públicas que combatam o comércio irregular.
  • Promover campanhas educativas mais próximas da realidade atual — com linguagem jovem, acessível e informada.
  • Exigir que o debate saia das manchetes e entre de fato nas decisões que protejam a saúde pública.

Informação é poder
Falar sobre cigarros eletrônicos não é moralismo. É responsabilidade. É reconhecer que, por trás da fumaça doce e do design bonito, há um problema sério que precisa ser enfrentado com urgência e diálogo.

Por isso, o vereador Daniel Carvalho apresentou o PL 10/2025: PROJETO DE LEI DO PODER LEGISLATIVO INSTITUI A CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE OS MALEFÍCIOS DO CIGARRO ELETRÔNICO. 

Este espaço é justamente para isso: trazer à tona os assuntos que impactam nossa cidade e nossas famílias, mesmo quando eles não são tão visíveis assim. Porque cuidar de Contagem é também proteger a saúde — especialmente de quem ainda está começando a vida.